Sem tesão não há solução
O escritor e psicanalista Roberto Freire morreu na semana passada, aos 81 anos, na casa de repouso onde havia se recolhido por vontade própria há alguns anos.
Deixou vários livros e um método terapêutico ainda muito incompreendido nos meios acadêmicos: a Somaterapia.
Na minha opinião, seu maior legado foi o axioma sem tesão não há solução.
Assim como a Somaterapia, essa sua afirmativa sofreu muito preconceito. Imagino que isso se deveu à palavra “tesão”, que leva as pessoas a pensarem imediatamente em sexo.
Mas não é apenas “naquilo” que Roberto Freire pensa quando faz essa constatação. É muito mais.
Ele nos lembra que na vida nada vale a pena se não for feito com paixão, com vontade, com prazer e integridade.
A começar pela profissão que escolhemos. Jamais seremos felizes e bons profissionais se não curtirmos o que fazemos.
Você se levanta da cama para ir trabalhar com a disposição de quem vai para a forca? Os acordes da trilha sonora do Fantástico, nas noites de domingo, lhe dão um aperto no coração? Algo está errado com sua escolha profissional.
Houve uma época em que eu trabalhava apenas por necessidade financeira em um local que não me agradava. Parecia uma prisão domiciliar ao contrário. Eu saía de casa todo dia para cumprir minha pena na “cadeia” e voltar, à noite, para o aconchego do lar. Não era fácil.
Conheço muita gente infeliz com a profissão, mas que precisa sobreviver e não tem como mudar de emprego - ou ramo, como se dizia antigamente.
Tive a oportunidade conhecer, também, pessoas felizes com o trabalho que escolheram - ou, vá lá, que tiveram a sorte de conseguir, pois, admito, isso não é fácil.
Lembro de um velho jornalista que cobria política para o Estadão, direitista convicto. Ele não apenas gostava do que fazia, mas sentia um prazer especial quando tinha de escrever algum artigo criticando políticos do antigo Partido Comunista Brasileiro.
- Além do prazer de escrever contra os comunas, ainda ganho para fazer isso”, regozijava-se.
Depois de algumas palestras e conversas com Roberto Freire (o “Bigode” para os íntimos), passei a entender melhor sua proposta e a defendê-la junto às pessoas mais próximas.
Passei, inclusive (quem diria?), a defender o trabalho. Mas o trabalho prazeroso, criativo, livre, não o escravo, opressor, apenas pela obrigação.
Um dia, na hora do almoço, explicava a meu filho mais velho (na época, pré-adolescente) a importância de escolher, no futuro, um ofício que ele gostasse, que lhe desse prazer, acima de tudo.
Confesso que sua resposta me deixou um pouco desconcertado:
- Ih, pai, então minha profissão vai ser ponta-esquerda!
Ame e dê vexame
“Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta”.
Este é um trecho de uma crônica de Roberto Freire (foto) sobre o amor. Clique aqui para lê-la na íntegra.
Leia também Crônicas novas de Tutty Vasques, Ivan Lessa, Carlos Brickmann e Frei Betto estão na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.

O que diria Ivan Lessa sobre essa nova tecnologia de identificação digital? Provavelmente a criticaria, pois na crônica selecionada desta semana já desce a lenha no iPhone. Acesse o link para a crônica do Ivan Lessa na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.
A propósito da efeméride de ontem, aniversário da libertação dos escravos, não pude deixar de selecionar para vocês, meus poucos mas bons leitores, outra crônica de Machaco de Assis sobre esse tema.
O falecimento de meu primo Zezé, sábado passado, reacendeu em mim a dúvida sobre a possibilidade de vida após a morte.
Esta vida
Hoje é o último dia para votar neste blog para o Prêmio Ibest. Se você ainda não votou, não deixe para depois.
Uma nova revolução sexual parece estar germinando entre a nossa juventude.
Se o Fantástico se apresenta como “o show da vida”, o que a Globo e demais emissoras estão fazendo com o episódio da morte da menina Isabella Nardoni pode ser considerado ”o show da morte”.
Este blog galgou mais duas posições no Prêmio Ibest e começou a semana em 17° lugar.

Vidinha de mosquito
Nada sei sobre a vidinha do
Só podia ser coisa de político mineiro.
Um espanhol chega para o outro, no aeroporto de Barajas, em Madri, e comenta:
A China tira o couro