EscutaZé no UOL
A partir desta semana, o blog EscutaZé! será publicado exclusivamente no Portal UOL.
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Nosso último ditador, o general Figueiredo, perpetrou algumas frases célebres durante seu mandato.
Com a franqueza e a “delicadeza” de quem vinha da Cavalaria, começou avisando que prenderia e arrebentaria quem fosse contra a abertura democrática.
Depois, para desespero de seu assessor de imprensa, o jornalista Alexandre Garcia, declarou gostar mais do cheiro de cavalo do que do cheiro do povo.
Ao deixar a presidência, soltou outra pérola. Perguntado se gostaria de deixar uma mensagem ao povo brasileiro, novamente foi objetivo: “Que me esqueçam!”
Há ainda uma outra resposta do general, da qual sempre me lembro em véspera de eleições, como agora.
Questionado por um repórter sobre em quem votaria em um pleito qualquer daquela época, de novo foi lacônico e certeiro: “O voto é secreto; revelá-lo é contra a lei”.
Estamos a duas semanas da escolha de nosos prefeitos e vereadores e é comum me perguntarem em quem vou votar.
Ninguém respeita a lei e o sagrado direito de não revelar como vamos nos manifestar nas urnas. Confesso que preferiria não responder a essa pergunta. Mas isso tem sido difícil.
Assim sendo, digo logo que não pretendo votar em ninguém. Essa é a minha posição, pelo menos enquanto não for realizada uma reforma política que coíba um pouco a corrupção e permita um mínimo de participação dos eleitores na conduta de seus eleitos.
Calma, meus poucos mas pacientes leitores, não vou aqui discorrer novamente sobre minha proposta do “eleitor-sênior”, pela qual interferiríamos no voto de nossos eleitos via Internet. Fica para a próxima.
Mesmo que não anulasse o voto, não gostaria de votar no Geraldo Alckmim, principalmente por causa dos preços altos dos pedágios paulistas - herança de seu governo e do saudoso Mário Covas.
Toda vez que paro em uma praça de pedágio me sinto assaltado. Antes de pagar, levanto os dois braços e vou passando o dinheiro devagarinho para o atendente, a fim de não assustá-lo e provocar uma reação perigosa.
No Kassab, já disse aqui, duas semanas atrás, não votaria porque ele quer dar um dos mais bonitos monumentos de São Paulo, o Estádio do Pacambu, aos corinthianos.
Sua campanha da cidade limpa até que me agradou, mas, por enquanto, é só de fachada - quero ver é limpar o ar da cidade.
Na minha imodesta opinião, acho que quem anda de ônibus deve votar na Martha, pois na sua gestão houve, efetivamente, uma melhora nesse setor.
Não é meu caso: só ando de metrô e de automóvel. Além do mais, pensar no Belisário tomando vinho em Paris a 200 ou 300 dólares a garrafa, já seria motivo suficiente para não sufragar o nome de sua mulher no dia 5 de Outubro.
Não fosse isso, ainda haveria um motivo extra para não votar na Martha. O fato de o responsável pela construção dos túneis Rebouças e Cidade Jardim não ter sido o seu Secretário de Obras, e sim, o do Abastecimento.
Pensei, refleti, perguntei aqui e ali, e até hoje ninguem conseguiu dirimir essa dúvida: por que uma pessoa que entende de alface, abobrinha, pepino e cenoura, entre outras leguminosas, é encarregada de comandar a construção de túneis? Mistério.
Paulo Maluf é engenheiro e entende de túneis, viadutos, avenidas, tudo o que for construção civil.
Mas nem posso pensar no seu projeto de “freeway”, acabando de vez com o pouco de natureza que temos com os rios Pinheiros e Tietê.
Meu medo maior, inclusive, é que ele acabe asfaltando o Ibirapuera para fazer ali um grande estacionamento.
Sobraria a Soninha. Porém, essa moça de verve fácil (boa de lábia, como diria meu pai) já se negou a dar uma entrevista por e-mail a este blog.
Impediu seus sete ou oito leitores de saber porque ela votou a favor de mais verbas para os vereadores na Câmara Municipal - fato que foi objeto de protesto das nobres senhoras do Voto Consciente.
Fora isso, Soninha quer que a gente comece a andar de bicicleta, em substituição ao automóvel.
Com os pulmões de quem fumou a vida inteira e as ladeiras da Vila Madalena, eu morro.
A propósito de mais um aniversário do atentado de 11 de Setembro, assisti a um filme na televisão, estes dias, que merece comentário.
Exibido pelo Cinemax, é uma daquelas produções independentes que passam só nos festivais de cinema alternativos, ou bem de madrugada, em canais por assinatura.
Com o nome de “Why we fight” (Por que nós guerreamos) é o tipo de filme que acaba visto apenas por quem já tem opinião formada sobre o tema.
De qualquer forma, é importante para subsidiar pacifistas como este velho blogueiro que sempre seguiu o antigo ditado brasileiro:
Em caso de guerra, mato ou morro. Ou corro para o mato, ou fujo para o morro.
Voltemos ao filme. Trata-se de um documentário sério, cuja intenção é mostrar, de maneira mais imparcial possível, por que, realmente, os Estados Unidos estão permanentemente envolvidos em intervenções militares.
Ao seu final, constatamos que apesar do alerta feito pelo presidente Dwight Eisenhower, em seu famoso discurso de despedida da Casa Branca, em 1961, eles venceram.
Quem são eles? São a força que Eisenhower chamou de Complexo Militar-Industrial que, como avisava, estava começando a tomar conta do governo americano.
Antes de alguém me tachar (não confundir com taxar, pois isso lá com a Martha) de comunista ou muçulmano, é bom deixar claro que esse alerta foi feito por um presidente americano, não por mim.
A indústria da guerra é impressionante. Não são apenas os fabricantes de navios, aviões de combate, bombas, tanques, enfim, armas e munições.
São centenas de outras empresas, empregando milhares de pessoas e gerando receitas de milhões de dólares, que produzem botas, uniformes, medicamentos etc. Até marmitas entram nesse rol, pois a comida dos soldados já é terceirizada e chega ao front em “quentinhas”.
Isso sem contar as empresas de reconstrução das áreas atingidas que, tão logo terminem os conflitos, desembarcam para refazer pontes, trilhos, fábricas, enfim, tudo o que eles próprios destruíram.
O Complexo Militar-Industrial domina, hoje, o governo dos EUA, seja ele democrata ou republicano.
Perdoem-me meus poucos mas famintos leitores se insisto em tirar seu apetite para a tradicional feijoada das quartas-feiras.
Mas podem escrever aí: seja qual for o candidato a ser eleito agora, Barack Obama ou John MacCain, ele será sempre impelido a declarar guerra. Se não houver motivo, eles criam.
Apaixonado por teorias da conspiração, vejo semelhanças entre o atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, e a bomba no Rio Centro, no Rio de Janeiro.
Para quem já está com a memória fraca ou nem era nascido: no dia 1° de Maio de 1981 haveria um grande show no Rio Centro, em comemoração ao Dia do Trabalho.
Setores “linha-dura” do Exército planejaram explodir uma bomba no local e colocar a culpa em terroristas de esquerda. Assim, jutificariam a manutenção da ditadura militar e do aparelho repressivo no Brasil.
A bomba, porém, explodiu no colo do sargento do Exército (um “aloprado” de então) que a levava, castrando o sinistro plano, figurativamente, e o próprio soldado, literalmente.
Não duvido nem um pouco que 11 de Setembro tenha sido armado nos porões do tal Complexo Militar-Industrial.
Depois de assistir a “Why we fight” é difícil alguém considerar simples coincidência o fato de Bin Laden pertencer à família que, no passado, teve interesses comerciais com os Bush, e foi armado pelos EUA para combater os soviéticos no Afeganistão.
E o que é mais suspeito: não ter sido localizado até agora por uma potência capaz de encontrar Sadham Hussein em um longínquo rincão iraquiano, dentro de um buraco debaixo da terra.