Wednesday, June 25, 2008

A ditadura da chapinha


Minhas poucas, mas boas (no sentido estrito) leitoras. Olhem para essas fotos ao lado e respondam com sinceridade:

Vocês conseguem imaginar essas moças com o cabelo liso, escorrido, resultado de uma chapinha ou escova progressiva?

Tudo bem, dirão vocês, os tempos são outros. Na época delas (com o perdão do cacófato), usava-se cabelo assim. Se fosse hoje, também teriam aderido à moda dos cabelos escorridos.

Será? Tenho minhas dúvidas. Mas acho que sim, pois as mulheres, em geral, são escravas da moda, seja ela qual for.

Alguém - nunca se sabe quem - decreta: a partir de agora, os seus cabelos terão de ser encaracolados.
E pronto, lá se vai a mulherada atrás de bobes para enrolar as madeixas.

Depois de uns dois ou três anos, esse mesmo alguém - quem será? - dá outra ordem: quem usa cabelos encaracolados está por fora; a moda agora é “permanente”.

Para quem não se lembra, ou não era nascido, ”permanente” é aquele cabelo bem crespo, encarapinhado.

Vi muitas mulheres com lindos cabelos lisos passarem horas sofrendo e deixar o cabeleireiro como se tivessem saído de uma cadeira elétrica.

Hoje ocorre o contrário. Às vezes me assusto com algumas mulheres que descartam seus belos cachos para aderir à escova progressiva.

Confesso que na minha juventude (quando essas moças da foto ainda nem mestruavam) eu padecia do mesmo erro. Tinha os cabelos crespos e os queria lisos, igual ao dos Beatles.

“Não adianta, você puxou a tia Aurélia”, me desanimava minha mãe. A tarefa era mesmo inglória. Por mais que dormisse com uma touca de meia enfiada na cabeça, de nada adiantava. Depois do recreio, na terceira aula, ele já estava encrespado novamente.

Desisti de lutar contra a natureza. Passei a deixar meus cabelos se moldarem sozinhos na minha cabeça. Como a tia Aurélia.

A verdade é que as mulheres gastam fortunas no cabeleireiro para, em alguns casos, saírem de lá parecendo a Maga Patalógica.

A apresentadora Ana Paula Padrão, por exemplo, uma moça que sempre considerei bonita. A chapinha deixou-a parecida com a personagem de Walt Disney.

Há uma outra apresentadora de telejornais, linda, que de vez em quando também aparece no vídeo parecendo a bruxa dos gibis. 

Essa eu não digo o nome, pois seu marido (e colega de bancada) é um dos sete ou oito leitores deste blog, e pode ficar bravo comigo. 



Eleições sem modéstia

A campanha eleitoral pelas prefeituras de todo o Brasil já está nas ruas. A partir de agora, os políticos “deletam” a palavra modéstia de seu vocabulário, como já observava, em 1954, o escritor Luís Martins (ilustração), em sua clássica crônica “Eleições”. Para ler esse atualíssimo texto
clique aqui.



A mensagem

A propósito da declaração do brigadeiro Saito, comandante da Aeronáutica, de que não é necessário que controladores de vôo falem fluentemente inglês, não perca a crônica “A Mensagem”, de Stanislaw Ponte Preta, com link na seção LEIA TAMBÉM.


Fotos: Rita Hayworth, Grace Kelly, Ingrid Bergman, Ava Gardner, Marilyn Monroe, Sophia Loren e Liz Taylor. Ilustração: Luís Martins por Tarsila do Amaral.


Este blog estará em recesso durante este mês de Julho. Voltará a ser atualizado normalmente a partir de Agosto. Até lá! 


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Thursday, June 19, 2008

A ‘montorite’ de Goldman

O vice-governador paulista, Alberto Goldman, teve um acesso de ‘montorite’ no último fim de semana, e chamou o prefeito de São Paulo de Geraldo Kassab.

Para quem não sabe, ’montorite’ era uma doença atribuída jocosamente a Franco Montoro, governador de São Paulo de 1983 a 1988, pela sua mania de trocar nomes em seus discursos.

Não creio, porém, que Goldman tenha sido traído por um dos sintomas muito comuns em quem já não precisa pagar a condução há muito tempo.

Com certeza, foi um ato falho, típico de um político, como ele, egresso do antigo Partidão (Partido Comunista Brasileiro).

Calma, meus poucos mas bons leitores. Eu explico: o Partidão foi famoso por buscar sempre a composição, o acordo político, ou, se preferirem, o conchavo.

O que o vice-governador queria, mesmo, como deixou escapar em seu discurso, era que Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab se fundissem em uma só pessoa: o Geraldo Kassab.

Os problemas dos tucanos e demos paulistas acabariam. Sem briga, sem fissuras, a eleição para a Prefeitura da Capital já estaria no papo. 

Seria uma fusão imperceptível. Geraldo Kassab governaria como Geraldo ou Gilberto, pois não há praticamente diferença entre ambos.

Talvez apenas dona Lu Alckmin estranhasse um pouco ao ver o retrato de São Josemaria de Balaguer (fundador da Opus Dei) trocado pelo da atriz Greta Garbo na parede da sala. Fora isso, não mudaria quase nada.

O sucesso desse sincretismo físico-político poderia ser estendido aos demais candidatos à Prefeitura. Acho que a fusão de Marta Suplicy e de Luiza Erundina seria melhor ainda.

Teríamos a Martina, uma candidata mais sóbria, propondo uma administração austera, apresentando-se com um tom de cabelo menos louro, um castanho escuro, no máximo.

Provavelmente, para ela o social não incluiria jantares na casa de inverno de amigas em Campos de Jordão. Por outro lado (êpa!), nossas concidadãs da periferia não ficariam privadas de ver de perto uma genuína bolsa Louis Vuitton.

Luís Favre, o marido de Martha, seguramente seria o único prejudicado com essa fusão. Mas, companheiro disciplinado que é, tem obrigação de dar tudo pela causa. Ou quase tudo, vá lá.

Nesse embalo, outros partidos como o PMDB e o PP não iriam querer ficar atrás.

Juntariam, também, seus maiores expoentes para concorrer às próximas eleições municipais. Fundiriam, assim, numa só pessoa, Orestes Quércia e Paulo Maluf.

É melhor nem pensar nisso.



Via Crusius


Um dia, quando tudo isso acabar, Yeda Crusius (PSDB) será lembrada como a primeira loura a montar no Brasil “um gabinete de transição”. A história haverá de nos poupar dos detalhes sobre o que está de fato acontecendo por esses dias no Rio Grande Sul. Até porque parecerá mentira contar que o vice-governador Paulo Feijó (DEM) gravou conversas telefônicas com seu secretariado para denunciar corrupção na gestão da governadora tucana, sua companheira de chapa nas eleições de 2006.

A política no Rio Grande do Sul está pegando fogo. Entenda o que está ocorrendo, lendo a íntegra deste divertido texto de Tutty Vasques.

Basta clicar em seu link, na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.


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Ilustração do post: recorte sobre Picasso; caricatura Yeda Crusius: Fragadesenhos.

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Thursday, June 12, 2008

Oração dos Namorados


Nesta quinta-feira é Dia dos Namorados, comemoração que teve origem na Europa, lá pelo Século 3º depois de Cristo.

O imperador romano de plantão havia proibido a Igreja Católica de realizar casamentos durante os tempos de guerra para não atrapalhar a convocação dos soldados.

O padre Valentim não acatou a ordem. Acabou decapitado e, posteriormente, elevado à condição de santo pela sua bravura em favor do matrimônio.

Em sua homenagem, casais europeus passaram a trocar presentes no dia de sua morte, 14 de fevereiro, surgindo, assim, o Dia de São Valentim, o Dia dos Namorados.

Consta que esse costume foi importado para o Brasil pelo empresário João Dória Júnior. Aliás, acho que esse moço também deveria ser canonizado um dia, tornando-se o padroeiro dos capitalistas brasileiros. Mas essa é uma outra história.

Aqui, o dia escolhido para a comemoração foi 12 de Junho, provavelmente por ser véspera de Santo Antonio e período fraco para o comércio.

Imbuido do espírito romântico que permeia essa data, este velho e romântico blogueiro dá a receita da felicidade para esse moços, pobres moços, enamorados de hoje-em-dia.

Modestamente, como sempre, devo esclarecer, meus poucos mas apaixonados leitores, não ter sido eu quem inventou a referida fórmula. Foi Frederick Perls, criador da Gestalt-Terapia.

Essa receita já foi publicada neste blog há algum tempo. Mas atendendo a mais de um pedido (dois, para ser exato), aqui vai novamente.

Rezem, pois, juntos, prezados pombinhos, a oração copiada abaixo:



Oração da Gestalt-Terapia

 


Eu faço minhas coisas,
você faz as suas.

Não estou neste mundo para viver

de acordo com as suas expectativas.

E você não está neste mundo

para viver de acordo com as minhas.

Você é você, e eu sou eu.

E se por acaso nos encontrarmos,

será lindo.

Se não, não há nada a fazer.

(F.Pearls)
 



Para viver um grande amor

Para viver um grande amor, é preciso muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher… — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for.


Clique aqui para ler a íntegra da receita de Vinícius de Moraes, nesse clássico poema.
 



Leia também

Na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página, estréia esta semana o link para a crônica semanal de Marcelo Rubens Paiva.


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Posted by JLT at 03:26:13 | Permalink | Comments (24)