Wednesday, April 30, 2008

Vida além da morte


O falecimento de meu primo Zezé, sábado passado, reacendeu em mim a dúvida sobre a possibilidade de vida após a morte.

É muito angustiante acreditar na teoria materialista de que o nosso fim é o nosso fim mesmo, ou seja, simplesmente deixamos de existir e pronto.

E se tudo é apenas uma questão de fé, fundamento da esperança - como disse São Paulo - prefiro crer em uma revelação mais otimista para esse mistério.

Do xamanismo da Granja Viana, em São Paulo, à cientologia dos atores de Hollywood, há muitas opções na praça para se escolher, principalmente nestes tempos de globalização.

Fiquemos, porém, com as religiões mais tradicionais. A maioria delas acredita na reencarnação - exceção dos católicos e protestantes.

Os muçulmanos também creêm que não se vive duas vezes. Para eles, o homem nasce e morre apenas uma vez. Irá ressuscitar em carne e osso no dia do Juízo Final.

Apesar de seduzido por aquela história das virgens esperando no céu, me incomoda um pouco essa idéia de que não teremos uma segunda chance.

Seremos julgados por uma única existência. Nada de segunda época, dependência. É só uma prova e ponto final. 

Os judeus não são tão rígidos. Eles têm a chance de reencarnar algumas vezes até que se purifiquem o suficiente para participar da última grande união em torno de Deus.

No budismo a reencarnação é chamada de renascimento, mas funciona mais ou menos igual à reencarnação dos espíritas, rosacruzes, maçons e outras religiões ou correntes filosóficas.
 
Segundo elas, a grosso modo, iremos voltar tantas vezes quanto necessárias para nosso aperfeiçoamento.

Ao folhear o Livro Tibetano dos Mortos, li em determinado trecho que é a nossa consciência, milésimos de segundos antes da morte, que decide sobre nosso futuro.

Vai ser difícil para um indeciso libriano como eu definir algo tão importante, assim, em questão de segundos. Por isso estou desde já tentando formar uma opinião e tomar a decisão que, espero, seja a certa.

Conto com a ajuda de vocês, meus poucos mas bons leitores, a quem peço desculpas por incomodá-los nesta véspera de feriado com dúvidas tão indigestas.

É que a minha fila está andando.




Viagem

Esta vida

é uma viagem.

Pena eu estar

só de passagem.

(Paulo Leminski)



Prêmio Ibest - Último Dia

Hoje é o último dia para votar neste blog para o Prêmio Ibest. Se você ainda não votou, não deixe para depois. Para votar clique aqui.

Você pode votar também pelo celular (tarifa R$ O,31). Basta enviar um torpedo escrito apenas Escutaze (assim mesmo, sem acento no é) para o número 49120.


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Posted by JLT at 20:48:40 | Permalink | Comments (41)

Wednesday, April 23, 2008

Aventureiros malucos

É senso comum de que há muitos malucos neste mundo. Com o passar do tempo, parece que se multiplicam.

Vejam o caso desse padre paranaense, por exemplo, que no último fim de semana decidiu subir aos céus amarrado a balões de gás e desapareceu no mar. 

Às vezes, deitado no sofá da minha sala, olhando para o teto, fico a imaginar o que leva essas pessoas a aventuras cujo único objetivo, ao que parece, é correr risco de vida ou, o que é pior, apenas  sofrer.

Qual será o prazer que o Carlos Tramontina - apresentador dos telejornais da Rede Globo e tido como um sujeito normal - tem ao escalar o Everest?

Passa dias congelado, comendo mal, sujo, precisando fazer a maior ginástica para ir ao banheiro…enfim, quase morre de tanto sofrimento para subir ao pico do morro e descer, em seguida.

Tenho um sobrinho, o Zé Pupo, que pratica corrida-de-aventura. Aliás, sua equipe foi a vencedora da última delas, realizada no início deste mês no Nordeste.

Encontrei-o recentemente, com herpes labial, fungo nos braços, arranhões pelo corpo todo, saindo de um repouso de alguns dias.

A prova teve 88 horas, das quais, acreditem, ele dormiu apenas três. Ou seja, passou praticamente 85 horas remando, pedalando e correndo sob o fustigante sol do sertão nordestino.

Ninguém é capaz de imaginar, entretanto, o brilho de seu olhar, a expressão de felicidade em seu rosto, a disposição de quem parecia estar pronto para correr mais 100 quilômetros sem parar.

O que é mais curioso, é que esses doidos-varridos, muitas vezes pagam para fazer isso. No máximo, arrumam patrocínio para custear as despesas das suas loucuras.

Invejo-os. Mal-e-mal passo três sofridos meses por ano em uma academia, “puxando-ferro”.

Sempre quis ter bíceps fortes, “tanquinho” na barriga, pernas musculosas para poder desfilar, orgulhoso, pelas areias de Copacabana. No entanto, nunca emplaco o quarto mês de musculação.

Isso ocorre não apenas pela dificuldade em ficar levantando pesos. Minha desmotivação deve-se também a uma frase ouvida de um sarcástico português, pai de um amigo, na época do colégio. 

Ao saber que havíamos nos matriculado para fazer halterofilismo (era assim que se chamava), Seu Constantino sabiamente observou:

- Vocês gostam de levantar pesos porque pagam para isso; se recebessem, garanto que não gostariam.

Mãe do progresso

A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.

(Mário Quintana).

Bebedor passivo

Ivan Lessa nunca foi de fazer esforço físico. Talvez os maiores exercícios ao longo de sua vida tenham sido fumar e beber. Parou com os dois. Mas alerta a quem gosta de tomar seus tragos socialmente: depois do fumante passivo, querem, agora, instaurar o “bebedor passivo”.
 
Leia a crônica do Ivan Lessa, clicando no link da seção LEIA TAMBÉM na barra direita desta página.

Terremoto

Aquela antiga piada da criação do Mundo não tem mais sentido. Agora, já temos terremoto. Por silogismo, quem sabe deixemos de ser ’o povinho’ a que se refere o chiste. 

Prêmio Ibest

Esta é a última semana para votar no Prêmio Ibest. Se você ainda não votou, participe deste ‘tour-de-force’ para colocar o EscutaZé! pelo menos entre os 15 primeiros da sua categoria. Para votar, clique aqui.


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Thursday, April 17, 2008

É isso aí


 

Uma nova revolução sexual parece estar germinando entre a nossa juventude.

Meninas estão andando de mãos dadas e beijando-se lascivamente em locais públicos.

Há algum tempo me contaram que algumas adolescentes, colegiais ainda, estavam se beijando nas baladas para chamar a atenção dos meninos.

Achei que era apenas um comportamento restrito a locais fechados e a algumas tribos urbanas, provavelmente saídas de colégios como o Equipe, Oswald de Andrade, Vera Cruz e outros tão caros e tão liberais quanto.

O novo costume, entretanto, ganhou as ruas. Tenho visto essa cena se repetir na calçada de casa, na padaria, nos shoppings-centers.

Mais de uma vez presenciei seguranças chamando a atenção de garotas que davam o maior amasso ali, no corredor, na frente de todo mundo.

E não foi no Shopping Frei Caneca, como alguns leitores mais entendidos (epa!) podem deduzir. E sim em outros predominantemente ”família”, em bairros classe média alta de São Paulo, como o West Plaza e o Eldorado.

Alguém me disse outro dia que meninos também estão se comportando dessa maneira. Isso eu nunca vi.

E como declarou aquela linda bandeirinha do jogo São Paulo X Palmeiras de domingo passado, não posso marcar o que não vi.

Convém esclarecer que não se trata do estereótipo do casal lésbico, onde uma das moças, geralmente, mostra-se um pouco masculinizada no seu jeito de vestir, andar ou falar.

O que tenho presenciado são duas meninas com roupas, trejeitos e comportamento tipicamente femininos.

Lembro que na década de 80, o falecido psicanalista-socialite Eduardo Mascarenhas profetizava que no ano 2000 todo mundo seria bissexual.

Parecia ser essa mesmo a tendência, pois quem manifestasse convicção heterossexual nas rodinhas mais descoladas podia ser visto como fora-de-moda, careta.

Esse movimento não vingou, na minha imodesta opinião, devido ao surgimento da Aids.
 
Acredito até que o HIV tenha sido inoculado propositalmente nos humanos com o objetivo de conter essa tendência. Lembremo-nos que gays não vão - ou pelo menos não iam - à guerra. E como os senhores do mundo, os senhores da guerra, iriam convocar suas tropas?

Mas essa é uma outra história. O fato é que, aqui, agora, esse comportamento parece estar se tornando normal - pelo menos entre meninas mais ‘moderninhas’.

Minha dúvida é se fazem isso para chamar a atenção, ou se estão exercitando sua bissexualidade sem vergonha nem culpa. Se é amor ou amizade.

Dia destes, comentava sobre isso com meu amigo Lyra Galvão, quando ele encerrou o assunto bem ao seu estilo politicamente incorreto:

- O mundo está mesmo virando de pernas para o ar, meu caro José. Outro dia li que o Ney Matogrosso já transou muito com mulher. E agora vem a cantora Ana Carolina e diz que está a fim de um homem…

O popular

A crônica política desta semana do Fernando José lembra do “Popular”, personagem marcante de Luís Fernando Verissimo. Ambos estão na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.

Prêmio Ibest

Apesar de todas as dificuldades técnicas apresentadas pelo site “Prêmio Ibest”, este blog continua participando da competição. Se você ainda não votou, vote logo, pois o prazo está acabando. Para votar clique aqui.



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Posted by JLT at 00:25:00 | Permalink | Comments (40)

Thursday, April 10, 2008

O diabo mora ao lado


Se o Fantástico se apresenta como “o show da vida”, o que a Globo e demais emissoras estão fazendo com o episódio da morte da menina Isabella Nardoni pode ser considerado ”o show da morte”.

Do primeiro telejornal da manhã ao último no fim da noite, é puro sensacionalismo a alimentar o já bem nutrido prazer mórbido das pessoas de esmiuçar a tragédia dos outros.

Na parte que me toca, fico imaginando como a natureza é cruel.

Uma pessoa aparentemente normal, de uma hora para a outra pode se transformar no mais monstruoso assassino.

Como o Zé Lico, um cara simpático, honesto, trabalhador, pai-de-família e eficiente beque-central do time de futebol da minha aldeia, Marsilac.

Uma vez por semana, ele bebia em um dos botecos da vila. Falava alto, soltava bravatas, ficava valente, mas nunca havia feito mal a ninguém.

Em um domingo qualquer, acordei com a notícia de que na noite anterior, em uma briga, ele havia matado um forasteiro com uma facada nas costas.

Depois de alguns anos na cadeia, voltou para casa cabisbaixo, envergonhado, com o rabo entre as pernas, como se dizia por lá - até porque matou alguém covardemente pelas costas.

Parou de beber, de jogar futebol, de falar alto. Tinha uns cinquenta anos quando consertava o teto da igreja, caiu e morreu. Viveu meio século como homem, cinco minutos como besta.

Para um amigo meu, casos como esses comprovam a existência do diabo.
 
O demo, como se sabe, tem muitas faces. No caso de crimes hediondos, entretanto, ele parece não ter a menor preocupação em se disfarçar. Incorpora na pobre vítima em estado bruto.

Aprendi quando criança que embora não o visse, o cão estava sempre ali, à espreita, esperando pacientemente qualquer vacilo nosso para agir.

Brincar com faca, por exemplo, era uma tentação ao diabo.

Quando você menos esperasse ele podia tomar conta de seus sentidos, deixá-lo fora de si, entrar em seu corpo e extrapolar toda a sua ira. Como aconteceu com o Zé Lico.

Isso comprova a tese de que os homens não são só bons ou só maus. A natureza é um eterno equilíbrio entre as forças negativas e positivas, sem juízo de valores.

É preciso aceitar esse fato e ficar atento, pois, como diz o ditado, o maior truque do diabo é fingir que não existe.



Entrevista com Satanás

Frei Betto faz uma divertida e profunda entrevista com Satanás e conclui que ele não existe: foi criado para justificar os nossos pecados.

A crônica está na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.



Prêmio Ibest

Este blog galgou mais duas posições no Prêmio Ibest e começou a semana em 17° lugar.

Ainda é tempo de participar. 

Para votar, clique aqui.



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Posted by JLT at 00:47:51 | Permalink | Comments (30)

Wednesday, April 2, 2008

Morte aos mosquitos!



A epidemia de dengue ainda não chegou a São Paulo.

Não quero tirar o apetite de nenhum conterrâneo nesta quarta-feira de outono tão propícia à feijoada.

Mas se nós, paulistanos, ainda estamos livres dessa praga viral não é por falta de mosquitos.


A todo lugar que vou preciso travar pequenas batalhas para não ser picado por um pernilongo.

Após o almoço na casa da minha mãe, sempre tem uma avezinha dessas (sim, mosquito é ave) a me interromper a sesta.

Mais tarde, ao passar na oficina para ver um probleminha no carro, lá estão mais uns dois ou três a me circundar.

Às vezes, atrapalham até mesmo a inspiração para perpetrar estas bem traçadas linhas, picando-me os tornozelos por baixo da mesa.

Antigamente, diziam que os mosquitos não atacavam moradores de prédios porque voavam baixo. Hoje-em-dia, aprenderam a tomar elevador e invadem o andar que quiserem.

O fato é que não tenho passado um dia sem me preocupar com mosquitos, obviamente alarmado com as notícias que vêm do Rio de Janeiro, onde, inacreditavelmente, as autoridades ainda discutem se o malfadado voador é municipal, estadual ou federal.

Passei a vida inteira me defendendo dessas pequenas pestes -pernilongos, muriçocas, borrachudos, carapanãs, aedes-egipty…

Inúmeras vezes interrompi minhas férias na praia mais e subi a Serra para poder dormir uma noite inteira sem os insuportáveis zumbidos no ouvido.

Há paraísos tropicais transformados em verdadeiros infernos só por causa dos borrachudos, como Ilha Bela, por exemplo.

Uma amiga zen tentou me animar, certa feita, defendendo uma teoria naturalista, segundo a qual mosquitos tinham o poder natural de cura: só nos picavam - dizia ela - em pontos desenergizados do corpo.

Assim sendo, levar uma dúzia de picadas teria o mesmo efeito revigorante de uma sessão de acupuntura. Ela deve ter inventado essa teoria ali, na hora, só para me consolar.

O pior de tudo é que além do incômodo, os pernilongos transmitem dengue, febre-amarela, malária, leishmaniose e muitas outras doenças que tiram o sono de qualquer hipocondríaco como este que vos escreve.

Sou daquelas pessoas incapazes de matar uma mosca, pacifista daqueles que acreditam que matar alguém por uma idéia é cometer um assassinato, não defender uma idéia.

Quando o inimigo é o pernilongo, entretanto, me transformo em um cruel e insaciável assassino. Se invadem meu quarto, à noite, só durmo tranquilo depois de esmagar todos eles.
 
A cada um que abato deixo espacar um sorriso de satisfação, sem a menor culpa - principalmente quando fica aquela manchinha de sangue (o meu sangue!) estampada na parede.


Vidinha de mosquito

Nada sei sobre a vidinha do
pernilongo que mato
indiferente na parede.
Mas desconfio que era
a única que ele tinha.

(Ulisses Tavares)


Prêmio Ibest 

Obrigado a quem já votou neste blog para o Prêmio Ibest. Esta semana, o
EscutaZé! chegou ao 19° lugar de sua categoria. Para votar, clique aqui.


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