Wednesday, March 26, 2008

O Conchavo de Minas


Só podia ser coisa de político mineiro.

O PT e o PSDB devem se unir para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte.

O ideal seria não precisarmos de políticos nem de partidos.

Mas enquanto esse dia não vem, é preciso combater qualquer união entre petistas e tucanos. 

Ciente de sua nobre missão de tentar formar a opinião de seus sete ou oito leitores, este blogueiro vem protestar contra esse acordo.

Nosso regime político, convenhamos, já não é lá essas coisas. 

Resta-nos, pelo menos, a possibilidade de alternância no poder entre esses dois partidos, fortes em termos eleitorais e com um mínimo de ideologia.

Bem ou mal (mais para mal do que para bem, diga-se) o PSDB e o PT estão cumprindo essa função.

Bem ou mal (mais para o mal do que para o bem, diga-se novamente) ambos criaram quadros e aprenderam a governar.

Os tucanos juntaram-se aos demos; os petistas, aos peemedebistas. Naturalmente, formaram duas forças eleitorais antagônicas.

São dois grupos que podem reproduzir aqui, ainda que imitação barata, o papel dos conservadores e trabalhistas da Inglaterra, dos democratas e republicanos dos Estados Unidos, e assim por diante.

Caso o Conchavo de Minas se espalhe nacionalmente teremos um partido único - sem debates, sem oposição, enfim, sem alternativas.

Esse eventual acordo lá de cima será mais do que um retrocesso para nossa incipiente democracia.

Será uma traição aos militantes, simpatizantes e eleitores do PT e do PSDB, que tanto se odeiam aqui embaixo.

Imprensa Única

Tão prejudicial à democracia quanto um eventual acordo entre PSDB e PT pode ser a união dos jornais O Estado de S.Paulo e O Globo.

Na sua coluna desta semana, Carlos Brickmann revela o boato que corre nos meios jornalísticos de que as Organizações Globo estariam para comprar o Estadão.

Se isso for verdade, corremos o risco de ter apenas um grande jornalão no País.

A coluna do Brickmann pode ser acessada na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita deste blog.

Perda lamentável

Causou repercussão a demissão de Paulo Henrique Amorim do IG. Pouca gente comentou, porém, a saída do cronista Tutty Vasques da Veja-Rio. Provavelmente porque seu jornalismo, de fina ironia, era crítico, mas não engajado. Lamentavelmente, não teremos mais neste blog o link para a crônica de Tutty Vasques.

Prêmio Ibest 

Obrigado a quem já votou neste blog para o Prêmio Ibest. Graças a vocês, esta semana, o EscutaZé! já chegou ao 20° lugar de sua categoria. Quem ainda não votou, aproveite. Agora está mais fácil e mais rápido. Seu voto é muito importante. Para votar, clique aqui.


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Posted by JLT at 17:55:25 | Permalink | Comments (42)

Wednesday, March 19, 2008

Existe um mundo melhor


Um espanhol chega para o outro, no aeroporto de Barajas, em Madri, e comenta:

- No Brasil, só há putas e jogadores de futebol.

Indignado, o amigo retruca:

- Homem, olha o respeito! Minha mãe é brasileira.

O outro não perde o rebolado:

- Ah, é? Em que time ela joga?



A piada é tão velha quanto sem graça. Mas retrata bem a imagem que os brasileiros têm hoje na Espanha.

Na verdade, não apenas na Espanha, mas em países da Europa em geral, onde estamos desembarcando aos milhares, quiça milhões.

Não diria que buscamos apenas dinheiro. Queremos uma vida melhor, na qual o vil metal é apenas uma parte do conjunto.

Os sete ou oito leitores deste blog com certeza já conhecem bem a Europa - melhor do que este blogueiro que esteve no Velho Mundo quando os generais Franco, De Gaulle e Salazar ainda eram sargentos.

Quem nunca cruzou o Atlântico acredite: deixar o Brasil e desembarcar em uma cidade européia é como tomar o elevador e subir um andar na escala da civilização.

As ruas são limpas, ninguém joga lixo no chão, as pessoas atravessam nas faixas para pedestres e os motoristas respeitam.

Os rios não são poluidos, suas margens são urbanizadas, suas pontes são verdadeiras esculturas.

Não há crianças pedindo esmolas, as taxas de criminalidade são baixas, as mulheres tomam sol de seios de fora nas praias mais badaladas, às margens dos rios e até nos parques públicos.

O leite, o uisque e o café são puros.

Há museus e bibliotecas por todos lados, os parques são bem cuidados, as casas das cidades do Interior têm flores nas janelas.

Acredite: andar pelas ruas das cidades da Europa nos faz sentir que somos cidadãos de verdade, embora estrangeiros.
 
Apenas um aviso aos navegantes: os policiais das fronteiras são iguais em qualquer lugar do mundo.


Os bárbaros

Sempre houve e sempre haverá ‘bárbaros’ querendo invadir civilizações mais desenvolvidas. É  o que adverte Átila, Rei dos Hunos, ao Papa Leo, como conta Luís Fernando Veríssimo na crônica Bárbaros. A crônica está na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.

A propósito da Semana Santa, na seção PARA GUARDAR você pode ler a íntegra do mais importante e bonito texto do Cristianismo: O Sermão da Montanha.


Tortura Chinesa

Se algo precisa ser dito sobre a repressão da China ao Tibet, o poeta Ulisses Tavares esgota o assunto em apenas onze linhas, com seu mais recente (e inspiradíssimo) poema Tortura Chinesa:

A China tira o couro
dos indefesos animais
do alienado povo
da frágil democracia
do fraco Tibet.
E o mundo aplaude a China
porque é grande
e está ficando literalmente
podre de rica
dias após dia.
Uma grande porcaria.

(Ulisses Tavares - 18/3/2008).


Prêmio Ibest

Obrigado àqueles que já votaram no EscutaZé! para o Prêmio Ibest. Em uma semana, vocês tiraram este blog de trás da Cristiana Lobo (epa!), o levaram da 36° para a 25° posição e o encostaram no Fernando Gabeira (epa! epa!). A votação continua. Não deixe de votar. Seu voto é muito importante.  Para votar, clique aqui. 


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Posted by JLT at 23:15:26 | Permalink | Comments (48)

Thursday, March 13, 2008

Um Conselho de Anciãos


Desde o início deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está com uma campanha na TV mandando os eleitores ficarem “de olho” no candidato que votaram nas últimas eleições.

É uma tarefa impossível. Exceção da minoria que aparece na mídia, não temos a menor idéia do que grande parte de suas excelências está fazendo em nosso nome.

Por isso, este blogueiro cheio de idéias luminosas tem uma sugestão a fazer ao TSE.

Atualmente, mesmo que descubramos alguma falcatrua do nosso candidato, estamos de mãos amarradas.

Ele tem um cheque em branco para usar como bem entender, para o bem ou para o mal, durante quatro anos - oito, no caso dos senadores.

Já foi proposto aqui neste nobre espaço a criação do “eleitor-sênior” (que orientaria a votação de seu representante via internet).

Foi também divulgado o projeto do Professor Vasconcelos, que editou o livro ”Democracia Pura” (Editora Nobel), sem políticos e partidos profissionais.

Além disso, alguns dos sete ou oito leitores do blog postaram sugestões bem criativas para tentar moralizar um pouco a situação - ou oposição.

Nenhuma dessas propostas - nem outras centenas que circulam por aí - vai ser colocada em discussão no Congresso Nacional, é óbvio, pois quem fará a reforma política serão os próprios políticos profissionais.

Mas este ”soldado raso das idéias” (salve, comandante!) não esmorecerá em sua incansável luta civica pelo aperfeiçoamento de nossa democracia.

Assim, lança mais uma brilhante idéia no cenário político nacional: a arregimentação de aposentados de todo o país para, como quer o TSE, ficar “de olho” nos eleitos.

Seria uma espécie de Conselho de Anciãos um pouco mais aguerrido - de preferência, integrado pelos aposentados mais velhinhos, com suas begalas e sombrinhas na mão.

Eles seriam pagos com jetons e lotariam as galerias das câmaras municipais, assembléias legislativas e Congresso Nacional.

Poderiam, ainda, dar plantão na porta de  ministérios, prefeituras, sedes governamentais e Palácio do Planalto. 

O vereador votou contra os interesses populares? O deputado apoiou uma medida nociva ao trabalhador? Um senador apoiou alguma maracutaia? O prefeito desviou verbas públicas? O presidente não sabia de nada?

Nossos bravos velhinhos e velhinhas, bengalas e sombrinhas em riste, acertariam as contas com eles.



Bicho-papão

É impressionante. Marqueteiros-políticos do mundo inteiro estão usando o medo das pessoas comuns para ganhar as eleições. É o que demostra Fernando José em seu artigo desta semana.

A exceção parece ser o carioca que, pelo visto, já perdeu o medo de Fernando Gabeira. Na sua crônica desta semana na “Veja-RJ”, Tutty Vasques (quem diria?) fala bem - e sem ironia - da candidatura do deputado a prefeito do Rio de Janeiro.
 
Fernando José e Tutty Vasques estão na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita deste blog.



Prêmio Ibest

O blog EscutaZé! foi indicado ao Prêmio Ibest na categoria blog-política. Agoraprecisa de seu voto. Para votar, clique aqui . Será aberta a página na qual já se encontra a cédula do EscutaZé! Seu voto é muito importante. Não deixe de votar. O blog já galgou algumas posições esta semana. Na última atualização, passou da página 6 para a 4 e, com todo o respeito, encostou em Cristiana Lobo.


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Posted by JLT at 03:59:30 | Permalink | Comments (27)

Wednesday, March 5, 2008

Lei do Cão


Meu mundo é minha aldeia, já dizia o poeta. Concordo plenamente.

Tão logo estourou o conflito entre os presidentes da Colômbia, Equador e Venezuela, lembrei-me dos cachorros da vila onde passei minha infância.

Por mais bravos que fossem, se por acaso invadissem o quintal alheio tornavam-se dóceis e medrosos.

Fugiam com o rabo entre as pernas ao primeiro latido do cão-de-guarda da casa.

Não importava se o cachorro do terreno invadido era grande, pequeno, vira-latas ou pastor alemão. O invasor respeitava. Daí o ditado ”cachorro na casa dos outros só leva susto”.

Dava a impressão que aqueles animais seguiam uma norma de conduta herdada de seus antepassados. Pareciam ter um código de ética natural.

Outra atitude interessante das normas caninas era a de enterrar suas próprias fezes.

Quem mora na cidade grande de concreto, hoje, provavelmente é incapaz de imaginar a cena.

Nos quintais e ruas de terra, os cachorros, primeiro, cavavam um pequeno buraco no chão; defecavam dentro e, em seguida, cobriam as fezes com a própria terra que haviam retirado ao cavar.

Hoje-em-dia, dá para notar um certo constrangimento desses pobres animais de coleira ao observar seus donos, de luvinhas brancas, recolherem seus cocôs das calçadas.

É a mudança natural dos tempos. Nem sempre o que era certo ontem é correto ou possível atualmente.

Alguns princípios, entretanto, não mudam. Entre os cães e os homens, continua sendo uma agressão imperdoável invadir o território alheio.

É uma infração tão grave que ambos - cachorros e homens - ao verem seu território invadido, continuam reagindo com a mesma ira atávica de outros tempos.

Explica-se, portanto, o comportamento do governo equatoriano ao protestar veementemente contra a invasão de seu país por soldados colombianos em caça a membros das Farc.

O que preocupa é a possibilidade de líderes políticos, como Hugo Chávez, explorarem esse instinto animal das pessoas mais simples para instigá-las a uma guerra insana, como todas as guerras.



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Posted by JLT at 20:49:35 | Permalink | Comments (41)