Domingo Legal
Sempre insisti com meus filhos para torcer somente a favor.
Seja no futebol, seja na política, minha opinião é a de que vibremos apenas pelo nosso time ou candidato. Jamais contra os outros.
Domingo passado, entretanto, flagrei-me com as mãos úmidas de tensão, torcendo contra o Corinthians e o presidente Chávez.
Comemorar a derrota corintiana não foi uma simples manifestação de torcedor rival: foi brindar a derrota do dinheiro-que-tudo-compra. Ou das pessoas-que-tudo-vendem, sei lá.
Não foi justo quando o pessoal da MSI - empresa suspeita de ter ligações com a máfia russa - chegou ao Brasil com as burras cheias de dinheiro para comprar jogadores para o ‘timão’.
Como foi injusto quando a italiana Parmalat - hoje sabe-se que com as mesmas segundas intenções da MSI - montou um time milionário para o Palmeiras.
Um dos sete ou oito leitores deste blog há de perguntar se este velho blogueiro é ingênuo a ponto de acreditar não haver corrupção nos outros clubes, inclusive no seu, o bi-campeão - modéstia à parte.
Se acreditasse nisso, teria de admitir a existência de Papai Noel, cegonha, ou o espírito público dos políticos profissionais.
Nesse caso, lembro a história do comportamento do jornal O Estado de S.Paulo na época da ditadura.
Seus proprietários admitiam ter comunistas em sua redação. Entretanto, quando questionado, Júlio de Mesquita Neto justificava: ”são comunistas, mas são os nossos comunistas”.
Nossos times do coração podem ter cartolas corruptos, é claro; mas, pelo menos, são ”os nossos corruptos”.
Terceiro mandato
Na verdade, não torci contra as reformas constitucionais propostas pelo presidente Chávez - entre as quais estava a semana de 36 horas de trabalho, a qual muito me agrada.
Torci contra o populismo e o caudilhismo tão comuns na América Latina. Torci contra a demolição de um dos pilares da Democracia: a alternância no poder.
Fiquei feliz por não ter passado a proposta de infinita reeleição presidencial, cujo resultado influenciaria outros países latino-americanos, inclusive este nosso ”Bananão” (como o chamava Ivan Lessa).
Imaginem a seguinte situação, caros amigos petistas favoráveis a um terceiro mandato para Lula:
O ano é de 1990. Fernando Collor assumiu a Presidência da República, acertou um esquema de apoio com o Congresso, e criou um programa de bolsa-família para milhões de eleitores.
Além disso, teve um pouco de sorte e a economia mundial ajudou-o a estabilizar a situação aqui dentro.
Ao final de seu primeiro mandato, propôs uma reforma constitucional, permitindo indefinidamente sua reeleição.
Como sua popularidade estava em alta, a maioria dos eleitores, ainda que por uma pequena margem de votos, aprovou a proposta.
Imaginem.