Wednesday, September 26, 2007

Le sexe qui dance

Sei que um dos sete ou oito leitores deste blog, provavelmente o chato do Zanfra, vai perguntar indignado:

“Ô Zé, você não tinha coisa melhor do que assistir ao Faustão?”

Não vou dar aquele resposta clássica e dissimulada de que estava “zapeando” e, de repente, parei na Rede Globo bem no horário do “Domingão”.

Na verdade, havia acabado de ver um dos piores jogos de futebol do “Brasileirão” (Corinthians X Palmeiras) e, por inércia, acabei assistindo ao início do quadro “Se Vira nos 30″.

Qual não foi minha surpresa ao ver a apresentação de uma menina de uns 18 anos, cuja habilidade era fazer suas nádegas dançarem ao som de Tico-tico-no-fubá.

De tão insólito o show, o Faustão decidiu prolongar a atração, pedindo para o maestro Caçulinha tocar outras músicas, da valsa ao samba, para que a participante pudesse mostrar mais um pouco das suas habilidades corporais.

A música tocava e a câmera, em close no talentoso bum-bum, registrava em rede nacional o levantar e baixar, o fechar e abrir, o enrijecer e relaxar dos glúteos da simpática e despudorada jovem, recobertos por uma calça de malha.

Já assisti uma tailandesa fumar com os seus - como direi? - grande lábios, no primeiro filme da série “Emanuelle”, estrelado pela inesquecível Silvia Crystel.

Achei curioso, também, em ”Priscila, a Rainha do Deserto”, uma moça atirar longe uma bolinha de ping-pong, usando somente a força dos seus marombados músculos vaginais.

Sem contar outras façanhas daqueles que “pintam (ops!) o sete” com seus genitais. 

Como um sexagenário que se orgulhava, na Internet, que, depois do Viagra, usava a - como direi? - ponta-de-lança de seu aparelho reprodutor como varal da toalha de banho.

Essas façanhas, entretanto, foram apresentadas no cinema ou na Internet. No “Domingão do Faustão”, nunca tinha visto.

Na verdade, não deveria ser uma surpresa, pois o pompoarismo ( exercício para fortalecer os músculos da vagina) está se tornando, hoje-em-dia, uma ginástica tão comum entre as mulheres, quanto a musculação ou o yoga.

Até os homens já começam a fazer a versão masculina dessa prática importada da Índia, o Tantra, cuja propaganda promete não apenas melhorar a relação sexual, como prevenir o câncer de próstata.

Esses assuntos todos, tabus até pouco tempo atrás, estão saindo da alcova e entrando na sala-de-visitas.

Dia destes, em uma reunião familiar, esse foi o tema predominante da conversa, depois de uma ou duas garrafas de vinho.

Foi quando um primo meu - descendente legítimo de calabrês na forma e no conteúdo - empolgou-se e, como é de praxe, extrapolou:

“Isso tudo para mim é fichinha”, vangloriou-se. “Sou capaz de pregar um prego em uma mesa com o pinto e, depois, minha mulher vai lá e o arranca com a xoxota”.

Ainda vou vê-los na televisão.

Pitbulls e Revólveres

Uma amiga minha escreve indignada com mais uma morte causada por um pitbull e com o descaso dos proprietários de cães perigosos com a vida de outras pessoas. Equiparo o ato de levar um pitbull para passear na rua ao porte de uma arma-de-fogo. Tanto o dono do cachorro quanto o do revólver, apenas por carregá-los, já deveriam ser presos por tentativa em potencial de homicídio.


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Posted by JLT at 22:40:26 | Permalink | Comments (16)

Wednesday, September 19, 2007

Vaffanculo Day

Alguma coisa precisa ser feita para melhorar a qualidade da nossa representação política e aperfeiçoar o regime democrático no Brasil.

Disso ninguém discorda. O que é preciso discutir são as medidas a serem tomadas para acabar com a bandalheira.

A OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - está defendendo uma proposta razoável: a criação do “recall”.

Funciona mais ou menos assim: o eleitor elege seu representante e se ele trair seu voto (o que tem sido regra, ultimamente) sua excelência é “deseleito”; ou seja, perde o mandato imediatamente.

No caso do episódio Renan Calheiros, por exemplo, poderíamos votar novamente para a cassação do senador que elegemos. 

Com a moderna tecnologia dos dias de hoje não seria difícil criar mecanismos a fim de possibilitar a execução dessa saneadora medida.

Outra proposta melhor ainda é a deste humilde blogueiro: a instituição do eleitor-sênior. Para quem ainda não sabe (já falei mais disso do que o Suplicy do Renda Mínima), funcionaria assim:

Cada candidato teria pelo menos mil eleitores-sêniores, que receberiam uma senha na hora da votação.

Com essa senha, teriam acesso ao saite do candidato (se ele fosse eleito) e determinariam qual a posição que ele deveria assumir em votações no Legislativo.

O vereador, deputado ou senador teria de votar de acordo com a decisão da maioria dos seus eleitores-sêniores. Caso contrário, cartão-vermelho para ele.

Há muitas outras medidas propostas por pessoas mais importantes do que eu para moralizar nosso sistema político.

Entre elas, destaco a fidelidade partidária, a quebra do sigilo bancário de todos os eleitos, e a necessidade de ser primeiro, prefeito, depois, governador, e só então poder candidatar-se a presidente.

O problema é que quem vai fazer a reforma política são os próprios políticos. E, como sabemos, quem detém o poder, jamais vai abrir mão dele.

Por isso, vem da Itália uma idéia muito boa para chacoalhar o pessoal que perde a dentadura, mas não larga a rapadura. Acho que devíamos importá-la.

Conforme noticiado pela “Folha” de domingo, trata-se de um movimento organizado por um comediante italiano com o objetivo de acabar com o privilégio dos políticos daquele país que, aliás, não são muito melhores do que os nossos, não.

O comediante chama-se Beppe Grillo, tem 59 anos, e reuniu, recentemente, na cidade de Bologna, 50 mil pessoas para uma manifestação pelas reformas. 

O ato foi singelamente batizado de Vaffanculo Day.

Um dia sem carro

No próximo sábado, 22, com o apoio irrestrito deste blogueiro - que de vez em quando já está gastando a sola do sapato, em vez dos pneus de seu possante - será comemorado o Dia Mundial Sem Carro.

Vamos todos passear “de pés”, como se diz por aí.

Será um bom momento para refletir sobre os motivos que levaram ao não cumprimento de uma lei aprovada pela prefeita Luiza Erundina, em 1988.

Essa lei determinava que em dez anos todos os ônibus da capital paulista deveriam ser movidos a gás. Mas até agora, nada. 

Na Espanha, já faz mais de 30 anos - eu disse 30 anos - que todos os ônibus, táxis e veículos oficiais são movidos a gás. Isso prova como somos atrasados.

O prefeito Kassab, que tem se mostrado tão eficiente no combate à poluição visual, poderia enfrentar, agora, os empresários de ônibus, e fazer a Operação Limpeza do Ar.

Quero ver se ele é mesmo macho para isso.


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Posted by JLT at 20:46:01 | Permalink | Comments (28)

Thursday, September 13, 2007

Mãos sujas

Escrevo estas mal traçadas linhas antes do julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros. Isso, porém, não faz a menor diferença, pois pouco importa o resultado. Seja o senador cassado ou não, tudo continuará como dantes no Quartel de Abrantes.

Como todo jornalista que se preze, não acredito que eu seja o dono da verdade; tenho certeza. Portanto, em verdade vos digo, meus poucos mas bons leitores: se Renan Calheiros for cassado, será mais uma cabeça a ser entregue à plebe ignara (nós outros) para evitar uma revolta contra o conjunto da classe política.

Severino Cavalcanti (lembram-se dele?) foi cassado. Mudou alguma coisa no Congresso?  

Faz tempo que não me iludo. Assistirei ao julgamento do senador Renan como quem assiste mais um reality-show na TV. Não deixa de ser divertido. É igual dia de eliminação no Big Brother.  

O fato é que enquanto nossa democracia não criar mecanismos que evitem a corrupção, vai ser sempre assim: o representante eleito sem representar os seus representados eleitores - roubando-os, inclusive, em muitos casos.

Ontem à tarde, na padaria, flagrei o garçom saindo do banheiro sem lavar as mãos com sabão. Chamei sua atenção (regalia daqueles que, como eu, já passaram dos cinquenta). Ele as lavou, desculpando-se: “É a pressa!”

O correto seria denunciar o pobre coitado ao dono da padaria. Mas para quê? Para que ele fosse repreendido, talvez demitido, e viesse outro sujismundo em seu lugar?

Só estaremos livres de uma contaminação em padarias, bares, restaurantes, quando tivermos um microscópio portátil para examinar a mão de cada garçom que nos serve.

Seria preciso inventar uma maquininha assim para fiscalizar os políticos.

Navalha no bolso 

Curioso: nunca mais li nem ouvi nada a respeito da Operação Navalha, depois que surgiu o escândalo de Renan Calheiros. Nem sei se algum dos envolvidos ainda está preso.

Essa sim era uma grande operação. Pegava corruptos e corruptores, desvendando o organograma da maracutaia no poder.

Acho que o verdadeiro boi a complicar a vida de Renan Calheiros foi o boi-de-piranha. 

Colé mano?

A propósito da crônica da semana passada sobre o trem-bala, uma amiga me enviou o seguinte comentário, postado por um “anônimo” em um saite de notícias, a respeito do atentado a bala ao trem dos ministros, no Rio de Janeiro. O comentário se referia à nota de que, após o tiroteio, a polícia iria invadir a Favela do Jacarezinho:

Aê, sacanagem…vocês não deviam atirar nos caras. A proposta do trem-bala é outra! O que ficou combinado é que só se mete bala na população, aquela que faz alarde e arruma uns votinhos pra nós. Mas nos ‘homi’? Vou ter que mandar a tropa ir aí fazer um ‘tremelecho’, não liga não… é coisa pra americano ver, depois, tudo passa.


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Posted by JLT at 03:28:20 | Permalink | Comments (15)

Wednesday, September 5, 2007

Meia-bala

O governador José Serra inventou um novo tipo de trem: o meia-bala. Com todo o respeito, a caminho dos 70 anos de idade, provavelmente foi traído pelo ato falho de comparar a velocidade desse transporte ferroviário à triste realidade da performance dos sexagenários.

Só Freud pode explicar o uso dessa expressão pelo governador, ao comentar o projeto de um trem para ligar São Paulo ao Rio de Janeiro em menos de duas horas.

A previsão é de que essa nova obra leve sete anos para ser implantada e custe R$ dez bilhões. Não é pouco dinheiro.

Pelo histórico de nossas obras públicas, quando chegarmos lá - se chegarmos - essa crifa já vai estar nos 20, 30 bilhões, tranquilamente.

Não dá para acreditar, também, nos sete anos - tradicional número de mentiroso, diga-se de passagem.

O fura-fila, uma obra ‘micra’ perto do trem-bala prometido, deveria ficar pronto em dez meses. Levou dez anos.

O rodoanel (ou “rouboanel”, como diz meu amigo o Lyra Galvão) é outro exemplo. Deveria estar totalmente concluido no ano 2000. Não está nem na metade.

A verdade é que já existe há muito tempo uma linha férrea ligando as duas capitais, que poderia muito bem ser reaproveitada, enquanto o trem-bala, ou meia-bala, sei lá, não vem.

Uma boa reforma em seus trilhos e instalações, bem como a implantação de trens modernos, seria uma alternativa razoável a curto prazo ao caos dos transportes aéreo e rodoviário que une (ou desune, hoje-em-dia) paulistas e cariocas.

Não parasse pelo caminho, esse novo trem poderia fazer o trajeto de 400 km com segurança e conforto em umas seis ou sete horas - quando chove, avião está demorando mais do que isso.

Já estava de bom tamanho para ir e voltar da Cidade Maravilhosa, sem os percalços da Via Dutra e dos aeroportos de Congonhas e Santos Dumont congestionados.

Sem falar na possibilidade de retomarmos ainda o turístico e romântico trem noturno, o famoso Trem de Prata, durante muitos anos uma charmosa atração a ligar a Estação da Luz à Central do Brasil.

A linha do trem já existe. Foi construida com muito suor e sangue dos trabalhadores e muito dinheiro público. Basta reativá-la, modernizá-la.

Não é o trem-bala, nem o meia-bala. Pode ser o tradicional meia-bomba.

Mas é o que temos.


O desabafo da Salete

Se você ainda não assistiu, vale a pena: clique no link O desabafo da Salete, na barra de links ao lado direito destapágina, e assista ao comentário contra os bancos - ah, os bancos! - que causou sua demissão da TV Cultura.

O desabafo de Ivan Lins 

Se tiver tempo (e não estiver no trabalho), clique também no link Som no blog e ouça uma canção-desabafo de Ivan Lins, bem apropriada para os nossos tempos. Deveria ser o hino nacional. 

 


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