Nas asas da maionese

Àqueles que desceram o sarrafo sem dó neste pobre e frágil blogueiro por causa de sua crônica sobre o acidente do Airbus em Congonhas, gostaria de lembrar o que disse a respeito na ocasião:
Alguém (sujeito indeterminado) deveria ser o responsável pela permissão do pouso da aeronave sob a chuva forte, contrariando os procedimentos de segurança.
Não o fez, provavelmente, para poupar o governo de outro congestionamento aéreo (hoje desconfio de intenções menos “nobres”).
O fato é que o sujeito já foi determinado: Denise Abreu, ex-diretora da Anac (Agência Nacional da Aviação Civil).
Ela falsificou um documento, o que permitiu que aviões com um reverso travado fossem autorizados pela Justiça a descer em Congonhas sob chuva.
Um típico caso de decisão política. E de homicídio culposo.
Hora do espanto
Por falar nessa tragédia, espantou-me o artigo deste mês da escritora Marilene Felinto na revista Caros Amigos.
Por uma questão de espaço, publico aqui apenas um parágrafo (a íntegra do artigo está no endereço:http://carosamigos.terra.com.br/ )
“Por que a droga da TV - do jornal e da revista - não aproveitou para lembrar ao espectador que amanhã…morre-se. Amanhã: é fogo-fátuo. A hora era de filosofia, de meditação, não de politicagem oportunista, não de espetacularização da dor alheia, não de exploração de emoções baratas”.
Gentem! Tudo bem defender o Governo Lula das “tentativas de golpe”, onde quer que elas estejam.
Este velho blogueiro foi contra o impeachment desde o primeiro momento e não cansa de repetir que é contra o “Fora Lula”, assim como era contra o “Fora FHC”.
Mas acho que desta vez, essa moça (a quem eu admirava, acreditem) viajou demais.
Valeu
O Supremo Tribunal Federal acatou a denúncia contra os 40 mensaleiros.
Ainda que essa Corte não tenha condenado até hoje nenhuma autoridade, ainda que o processo leve anos, ainda que os réus possam ser inocentados, e ainda que delitos venham a ser proscritos, valeu.
Pelo menos a opinião pública passou a conhecer como funcionam (desde muito antes do Governo Lula) as indecentes relações entre o Executivo e o Legislativo.
Era um fato do conhecimento apenas daqueles que circulam pelos bastidores do Senado, da Câmara Federal, das assembléias legislativas e das câmaras municipais.
Pela primeira vez na vida sou obrigado a discordar do Luís Fernando Veríssimo, a quem considero o melhor escritor brasileiro da atualidade. 

