Tuesday, October 28, 2008

Comunismo no além


Atenção: desde setembro último, o EscutaZé! está sendo publicado exclusivamente no Portal UOL. Endereço: www.escutaze.blog.uol.com.br

Perdoem-me os capitalistas mais convictos.

Esta semana não tenho uma boa notícia para vocês.

Descobri que, no mundo espiritual, poderemos viver em um regime tal qual o comunismo.

Pelo menos é o que relata, diretamente de lá, André Luiz, no livro “Nosso Lar”, psicografado por Chico Xavier.

Como podem perceber, meus poucos mas bons leitores, na semana que passou continuei bisbilhotando sobre o que pode haver depois que abotoamos o paletó, batemos as botas, esticamos as canelas, vestimos o pijama de madeira.

E encontrei esse pequeno livro, do qual só ouvira falar vagamente, mas que já passou dos 1,5 milhão de exemplares. Acho que não há nenhum título brasileiro com essa tiragem.

Nele, o Espírito de André Luiz narra sua chegada e as primeiras semanas passadas no que deve ser o primeiro portal do mundo espiritual.

Foi uma surpresa para mim, pois pensava que a partir do momento em que me transformasse apenas em espírito, poderia sair por aí voando sobre florestas, rios, cachoeiras e visitando, sem ser notado, locais aprazíveis deste mundo, como vestiários femininos, por exemplo.

Não é bem assim. Segundo André Luiz, nossa futura morada é muito parecida com uma cidade terrena e nos comportamos lá como deveríamos nos comportar aqui.

Chamou-me a atenção a questão do trabalho e remuneração. Em primeiro lugar foi um alívio saber que há espíritos ociosos no nosso “futuro lar”.

A comunidade tem direito a pão e roupa estritamente necessários, mas o trabalhador acumula horas-bônus, as quais recebe de acordo com o grau de sacrifício de seu trabalho. Quanto mais pesado o trabalho, mais ele recebe.

Daí, se quiser, utiliza parte dessa poupança para vestir e comer o que de melhor lhe pareça. 

Pode também gastar em entretenimento, passeios e até adquirir uma casa própria.

As aquisições fundamentais, entretanto, como narra André Luiz, constituem-se de “experiência, educação, enriquecimento de bençãos divinas e extensão de possibilidades”.

Esses conceitos são mais ou menos parecidos com as propostas do comunismo implantado aqui na Terra.

Aliás, há outra semelhança: lá, como no comunismo cá, também existe apenas um partido no poder, não há oposição.

A diferença é que os grandes mandatários do “Nosso Lar” são escolhidos de Deus; e os daqui pensam que são.

José Luiz Teixeira


Machado de Assis

Como o assunto desta semana ainda é o sobrenatural - na próxima, prometo, vou abordar temas mais mundanos - vale a pena ler uma deliciosa crônica de Machado de Assis sobre a reencarnação, garimpada especialmente para os leitores deste blog. Para lê-la, clique aqui.



Tutty Vasques

Ele saiu da Vejinha-Rio, mas este blogueiro foi fuçando, fuçando, e achou-o de novo. E trouxe o link das suas crônicas de volta.

Quem não é assinante do Estadão tem acesso às crônicas semanais de Tutty Vasques na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita deste blog.


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Posted by JLT at 22:50:42 | Permalink | Comments (38)

Tuesday, September 23, 2008

EscutaZé no UOL


A partir desta semana, o blog EscutaZé! será publicado exclusivamente no Portal UOL.

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Wednesday, September 17, 2008

Revelação de voto


Nosso último ditador, o general Figueiredo, perpetrou algumas frases célebres durante seu mandato.

Com a franqueza e a “delicadeza” de quem vinha da Cavalaria, começou avisando que prenderia e arrebentaria quem fosse contra a abertura democrática.

Depois, para desespero de seu assessor de imprensa, o jornalista Alexandre Garcia, declarou gostar mais do cheiro de cavalo do que do cheiro do povo.

Ao deixar a presidência, soltou outra pérola. Perguntado se gostaria de deixar uma mensagem ao povo brasileiro, novamente foi objetivo: “Que me esqueçam!”

Há ainda uma outra resposta do general, da qual sempre me lembro em véspera de eleições, como agora.

Questionado por um repórter sobre em quem votaria em um pleito qualquer daquela época, de novo foi lacônico e certeiro: “O voto é secreto; revelá-lo é contra a lei”.

Estamos a duas semanas da escolha de nosos prefeitos e vereadores e é comum me perguntarem em quem vou votar.

Ninguém respeita a lei e o sagrado direito de não revelar como vamos nos manifestar nas urnas. Confesso que preferiria não responder a essa pergunta. Mas isso tem sido difícil.

Assim sendo, digo logo que não pretendo votar em ninguém. Essa é a minha posição, pelo menos enquanto não for realizada uma reforma política que coíba um pouco a corrupção e permita um mínimo de participação dos eleitores na conduta de seus eleitos.

Calma, meus poucos mas pacientes leitores, não vou aqui discorrer novamente sobre minha proposta do “eleitor-sênior”, pela qual interferiríamos no voto de nossos eleitos via Internet. Fica para a próxima.

Mesmo que não anulasse o voto, não gostaria de votar no Geraldo Alckmim, principalmente por causa dos preços altos dos pedágios paulistas - herança de seu governo e do saudoso Mário Covas.

Toda vez que paro em uma praça de pedágio me sinto assaltado. Antes de pagar, levanto os dois braços e vou passando o dinheiro devagarinho para o atendente, a fim de não assustá-lo e provocar uma reação perigosa.

No Kassab, já disse aqui, duas semanas atrás, não votaria porque ele quer dar um dos mais bonitos monumentos de São Paulo, o Estádio do Pacambu, aos corinthianos.

Sua campanha da cidade limpa até que me agradou, mas, por enquanto, é só de fachada - quero ver é limpar o ar da cidade.

Na minha imodesta opinião, acho que quem anda de ônibus deve votar na Martha, pois na sua gestão houve, efetivamente, uma melhora nesse setor.

Não é meu caso: só ando de metrô e de automóvel. Além do mais, pensar no Belisário tomando vinho em Paris a 200 ou 300 dólares a garrafa, já seria motivo suficiente para não sufragar o nome de sua mulher no dia 5 de Outubro.

Não fosse isso, ainda haveria um motivo extra para não votar na Martha. O fato de o responsável pela construção dos túneis Rebouças e Cidade Jardim não ter sido o seu Secretário de Obras, e sim, o do Abastecimento.

Pensei, refleti, perguntei aqui e ali, e até hoje ninguem conseguiu dirimir essa dúvida: por que uma pessoa que entende de alface, abobrinha, pepino e cenoura, entre outras leguminosas, é encarregada de comandar a construção de túneis? Mistério.

Paulo Maluf é engenheiro e entende de túneis, viadutos, avenidas, tudo o que for construção civil.

Mas nem posso pensar no seu projeto de “freeway”, acabando de vez com o pouco de natureza que temos com os rios Pinheiros e Tietê.

Meu medo maior, inclusive, é que ele acabe asfaltando o Ibirapuera para fazer ali um grande estacionamento.

Sobraria a Soninha. Porém, essa moça de verve fácil (boa de lábia, como diria meu pai) já se negou a dar uma entrevista por e-mail a este blog.

Impediu seus sete ou oito leitores de saber porque ela votou a favor de mais verbas para os vereadores na Câmara Municipal - fato que foi objeto de protesto das nobres senhoras do Voto Consciente.

Fora isso, Soninha quer que a gente comece a andar de bicicleta, em substituição ao automóvel.

Com os pulmões de quem fumou a vida inteira e as ladeiras da Vila Madalena, eu morro.

Posted by JLT at 23:43:32 | Permalink | Comments (22)

Wednesday, September 10, 2008

Por que eles guerreiam

A propósito de mais um aniversário do atentado de 11 de Setembro, assisti a um filme na televisão, estes dias, que merece comentário.

Exibido pelo Cinemax, é uma daquelas produções independentes que passam só nos festivais de cinema alternativos, ou bem de madrugada, em canais por assinatura.

Com o nome de “Why we fight” (Por que nós guerreamos) é o tipo de filme que acaba visto apenas por quem já tem opinião formada sobre o tema.

De qualquer forma, é importante para subsidiar pacifistas como este velho blogueiro que sempre seguiu o antigo  ditado brasileiro:

Em caso de guerra, mato ou morro. Ou corro para o mato, ou fujo para o morro.

Voltemos ao filme. Trata-se de um documentário sério, cuja intenção é mostrar, de maneira mais imparcial possível, por que, realmente, os Estados Unidos estão permanentemente envolvidos em intervenções militares.

Ao seu final, constatamos que apesar do alerta feito pelo presidente Dwight Eisenhower, em seu famoso discurso de despedida da Casa Branca, em 1961, eles venceram.

Quem são eles? São a força que Eisenhower chamou de Complexo Militar-Industrial que, como avisava, estava começando a tomar conta do governo americano.

Antes de alguém me tachar (não confundir com taxar, pois isso lá com a Martha) de comunista ou muçulmano, é bom deixar claro que esse alerta foi feito por um presidente americano, não por mim.

A indústria da guerra é impressionante. Não são apenas os fabricantes de navios, aviões de combate, bombas, tanques, enfim, armas e munições.

São centenas de outras empresas, empregando milhares de pessoas e gerando receitas de milhões de dólares, que produzem botas, uniformes, medicamentos etc. Até marmitas entram nesse rol, pois a comida dos soldados já é terceirizada e chega ao front em “quentinhas”. 

Isso sem contar as empresas de reconstrução das áreas atingidas que, tão logo terminem os conflitos, desembarcam para refazer pontes, trilhos, fábricas, enfim, tudo o que eles próprios destruíram.

O Complexo Militar-Industrial domina, hoje, o governo dos EUA, seja ele democrata ou republicano.

Perdoem-me meus poucos mas famintos leitores se insisto em tirar seu apetite para a tradicional feijoada das quartas-feiras.

Mas podem escrever aí: seja qual for o candidato a ser eleito agora, Barack Obama ou John MacCain, ele será sempre impelido a declarar guerra. Se não houver motivo, eles criam.

Apaixonado por teorias da conspiração, vejo semelhanças entre o atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, e a bomba no Rio Centro, no Rio de Janeiro.

Para quem já está com a memória fraca ou nem era nascido: no dia 1° de Maio de 1981 haveria um grande show no Rio Centro, em comemoração ao Dia do Trabalho.

Setores “linha-dura” do Exército planejaram explodir uma bomba no local e colocar a culpa em terroristas de esquerda.  Assim, jutificariam a manutenção da ditadura militar e do aparelho repressivo no Brasil.

A bomba, porém, explodiu no colo do sargento do Exército (um “aloprado” de então) que a levava, castrando o sinistro plano, figurativamente, e o próprio soldado, literalmente.

Não duvido nem um pouco que 11 de Setembro tenha sido armado nos porões do tal Complexo Militar-Industrial.
 
Depois de assistir a “Why we fight” é difícil alguém considerar simples coincidência o fato de Bin Laden pertencer à família que, no passado, teve interesses comerciais com os Bush, e foi armado pelos EUA para combater os soviéticos no Afeganistão. 

E o que é mais suspeito: não ter sido localizado até agora por uma potência capaz de encontrar Sadham Hussein em um longínquo rincão iraquiano, dentro de um buraco debaixo da terra.

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Posted by JLT at 20:53:04 | Permalink | Comments (28)

Wednesday, August 20, 2008

Beijing, Beijing…tchau, tchau.

Ainda bem que restam poucos dias para o fim das Olimpíadas. Não aguento mais tanta frustração. 

A última (por enquanto) foi terça-feira de manhã, na derrota do futebol masculino para a Argentina.

Pudera. O Brasil atuou apenas com dez jogadores. Ronaldinho Gaúcho, completamente fora de forma, foi apenas uma peça decorativa em campo.

Depois dessa, acho que o Macaco Simão está mesmo certo: nosso craque deveria ser convocado para fazer embaixadas no semáforo; não na seleção brasileira.

A cada dia, surgia uma nova decepção. A primeira foi quando descobri que as duplas de vôlei de praia da Geórgia, tanto as femininas quanto as masculinas, são formadas por brasileiros naturalizados georgianos.

Em seguida, soube que a maioria dos participantes do torneio de tênis de mesa era composta de chineses, representando diversos países asiáticos nos quais também foram naturalizados pelos mesmos motivos dos brasileiros: dinheiro.

Nada contra o dinheiro. Muito pelo contrário. Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor, mas por um punhado de dólares defenderia qualquer outro país no ping-pong - único esporte no qual este velho e combalido blogueiro ainda dá suas raquetadas.

O que está em jogo, na verdade, é a legitimidade das Olimpíadas. Daqui a pouco os países ricos contratam os melhores atletas dos países pobres e ficam com todas as medalhas de ouro. Qual é a graça?

Outra correção que precisa ser feita nas Olimpiadas do futuro se refere ao número de medalhas.

Nos esportes coletivos cada jogador recebe uma medalha. Por que elas não são computadas no ranking final?

Treinar dois, seis, onze atletas é duas, seis, onze vezes mais trabalhoso do que treinar um atleta apenas.

Pensem bem, meus poucos mas imparciais leitores: é justo um atleta sozinho ficar com seis medalhas, enquanto outros seis campeões de um esporte coletivo ficam com apenas uma?

Fora isso, um nadador, ou corredor, disputa uma prova de segundos e, pronto, já é campeão.

Quantos metros precisa nadar um jogador de pólo aquático para chegar a uma final olímpica? Quanto metros precisa correr um jogador de futebol?

Quem sabe com essas brilhantes sugestões, as medalhas seriam distribuídas mais equitativamente e não nos fariam passar tanta vergonha e frustração.
 
Chegamos ao cúmulo de tratar como herói nacional o nosso Cesão, único brasileiro que até ontem havia ganho uma mísera medalha de ouro (Michael Phelps, aqui, ganharia uma estátua maior do que a do Padim Ciço).

Mas não vamos perder as esperanças. Em 2012, pode ser que as Olimpíadas venham para o Rio de Janeiro.

Daí nos vingamos dos vencedores chineses que, além de tudo, esconderam a vara de Fabiana Murer.

No Rio, vamos sequestrar e esconder os melhores atletas chineses dentro de cisternas até acabarem os jogos.

Nessa modalidade não tem perhaps: somos os campeões.


Sem amadorimos

“E não me venham com papagaiada, com patriotada. Eu quero ver Michael Phelps humilhando os outros coitados que se atrevem a pular na piscina junto com ele”.

Assim começa o artigo desta semana de Fernando José. Você pode lê-lo na íntegra, clicando em seu link na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.


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Posted by JLT at 19:40:29 | Permalink | Comments (25)

Wednesday, August 13, 2008

Encontro marcado


 

Muito bonitinhos e bem feitos os filmetes que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está veiculando na televisão, alertando o eleitor para votar consciente nas próximas eleições.

O endereço dessas mensagens, porém, está errado.

O remetente está certo. É competência da Justiça Eleitoral enaltecer a importância das eleições livres e diretas.

O destinatário é que deveria ser outro: quem tem de ter consciência da importância da democracia representativa não somos nós, os eleitores, e sim os candidatos. Essa propaganda do TSE teria de ser dirigida a eles.

Faz muito tempo que o povo brasileiro já sabe votar; os políticos é que não aprenderam ainda a ser votados.

Desde Fernando Collor, o brasileiro está votando com muito mais consciência. Isso ninguém há de negar.

As eleições de Fernando Henrique e de Luís Inácio, duas vezes cada um, não podem ser consideradas grandes equívocos eleitorais.

O pobre eleitor não poderia adivinhar que o primeiro, que tão bem escrevia, o mandaria esquecer de tudo o que já havia escrito.
 
E que o segundo, que tudo via e sabia, já nada vê e nada sabe do que ocorre ao seu redor.

Isso se repete em todos os níveis, de senador a vereador. Elegemos um parlamentar com ficha limpa, com cara de honesto, belo discurso e, depois de eleito, o médico vira monstro.

Há mais de um século já foi dito que o poder corrompe e que o poder absoluto corrompe absolutamente, como constatou Lord Acton.

Todo mundo aprendeu isso no colégio. Aprendeu, mas não compreendeu. Caso contrário, já teríamos feito nossa reforma política há muito tempo.

O que acontece hoje é simples: nós, os eleitores, damos um cheque em branco para os eleitos fazerem dele o que quiserem por quatro anos. Nesse período ficamos de mãos atadas, sem poder fazer nada.

Não aprendemos isso na escola, mas desde criança também sabemos que o diabo tenta. Como tentou Jesus Cristo no deserto.

Nossos políticos, em sua maioria, não têm inspiração divina para resistir às tentações do poder. 

Quem tem olhos para ver sabe que , hoje-em-dia, são eles que inviabilizam a democracia representativa.

Faz mais de 20 anos que enrolam, enrolam, e não apresentam uma reforma política com instrumentos mais eficazes para impedir as falcatruas em todos os níveis.

Há um antigo ditado árabe que diz: saem de casa, todos os dias, um malandro e um otário; se os dois se encontrarem, sai negócio; caso contrário, o negócio fica automaticamente adiado para o dia seguinte.

Adaptando para os dias de hoje, poderíamos dizer que a cada dois anos, no Brasil, há um encontro desse tipo marcado entre malandros e otários.

A diferença é que é obrigatório e em local determinado: nas urnas.



Cem anos de perdão

Tenho recebido muitas mensagens por e-mail, acusando a ministra Dilma Roussef de terrorista. Seu principal crime teria sido assaltar o cofre do ex-governador Adhemar de Barros.

Não sou a favor da luta armada e poderia me definir como um anarco-pacifista (não confundir com “narco-pacifista”, aquele cara que puxa fumo e fica sentado em posição de lótus com os dedinhos pra cima, simbolizando paz e amor).

Acho que matar por uma idéia é simplesmente matar, não defender uma idéia.

Isto posto, queria dizer o seguinte: se for para condenar a Dilma, que a condenem por outro motivo, não pelo roubo do cofre no Adhemar.

Os mais antigos hão de convir comigo. Desse crime ela deveria ser perdoada. Pelo menos por cem anos.


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Ilustração: fotomontagem jlt

Posted by JLT at 21:10:58 | Permalink | Comments (28)

Wednesday, August 6, 2008

McCain, um herói de verdade.


Depois de assistir ao filme sobre a vida do candidato republicano John McCain, segunda à noite na TVA, perdi a esperança de ver os republicanos fora da Casa Branca.

Se a maioria silenciosa dos EUA também assistir a essa superprodução, ele já pode ser considerado eleito. 

“A vida de John McCain” (Faith of My Fathers) conta a história dos cinco anos em que ele foi prisioneiro de guerra no Vietnã, após ter seu avião abatido em um ataque aéreo.

Ele é apresentado no filme como o verdadeiro herói americano. Suplanta em patriotismo, coragem e caráter qualquer personagem de Schwarzenegger, Stallone, ou Van Damme.

Confesso que desde o primeiro momento torci para Hillary Clinton ganhar de Obama nas prévias do Partido Democrata. Acho que ela tinha mais chances de vencer a eleição, como, aliás, estão demonstrando as últimas pesquisas.

Dos males o menor. Não morro de amores pela ex-primeira dama, acho-a até um pouco arrogante. Talvez tenha sido essa uma das razões de sua derrota.

Não é o caso de seu marido. Confesso não ter visto até hoje nenhum sorriso mais simpático e cativante do que o de Bill Clinton.

O ex-presidente é daqueles que parecem estar sempre sorrindo, seja qual for a situação. Faz parte do grupo dos que sorriem mais com os olhos do que com a boca. Nascem simpáticos.

Invejo essas pessoas, pois descobri que sou o contrário delas. Percebi isso ao tirar uma foto para um crachá. Esforcei-me para sair simpático, com um brilho nos olhos. Quando a foto foi revelada, surpeendi-me ao sair com a cara fechada, como se estivesse bravo.

Puxei meu pai. Entendi, depois dessa fotografia, que ele não era tão bravo como parecia. Por fora, estava carrancudo, mas - assim como eu - provavelmente, por dentro, estava sorrindo.

O pai de John McCain, almirante da Marinha dos EUA, não dá um sorriso no filme. Sempre sério, ensina ao filho a importância de ter caráter, retidão, integridade.

Leva-o com orgulho a se alistar nas Forças Armadas para combater como piloto no Vietnã, onde é capturado em uma de suas primeiras missões.

Resgatado no mar pelos inimigos, é imediatamente ferido por uma baioneta na perna. Daí em diante, é só tortura.
 
McCain é torturado durante os cinco anos em que ficou preso, maioria dos quais em uma solitária. Chegam a pendurá-lo com os braços amarrados para trás, o que, dizem, limita até hoje seus movimentos.

Ele resiste bravamente e, quase morrendo de dor, ainda zomba dos interrogadores: quando lhe pedem informações sobre seu esquadrão, dá o nome dos jogadores do time dos Giants que havia sido campeão anos antes.

Mais: não apenas resiste às torturas sem revelar nada, como não aceita ser repatriado antes dos seus colegas - privilégio oferecido depois de seu pai ter assumido o posto de comandante das forças americanas no Pacífico.

John McCain, meus poucos mas saudosos leitores, é um herói de verdade. Pelo menos é o que mostra o filme sobre sua vida.

Obviamente, este blogueiro-velho-de-guerra sabe que tudo ali é exagero, com  muita ficção e licença poética.

Mas a maioria silenciosa americana, não.



Millôr

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UOL

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Posted by JLT at 20:24:35 | Permalink | Comments (20)

Wednesday, June 25, 2008

A ditadura da chapinha


Minhas poucas, mas boas (no sentido estrito) leitoras. Olhem para essas fotos ao lado e respondam com sinceridade:

Vocês conseguem imaginar essas moças com o cabelo liso, escorrido, resultado de uma chapinha ou escova progressiva?

Tudo bem, dirão vocês, os tempos são outros. Na época delas (com o perdão do cacófato), usava-se cabelo assim. Se fosse hoje, também teriam aderido à moda dos cabelos escorridos.

Será? Tenho minhas dúvidas. Mas acho que sim, pois as mulheres, em geral, são escravas da moda, seja ela qual for.

Alguém - nunca se sabe quem - decreta: a partir de agora, os seus cabelos terão de ser encaracolados.
E pronto, lá se vai a mulherada atrás de bobes para enrolar as madeixas.

Depois de uns dois ou três anos, esse mesmo alguém - quem será? - dá outra ordem: quem usa cabelos encaracolados está por fora; a moda agora é “permanente”.

Para quem não se lembra, ou não era nascido, ”permanente” é aquele cabelo bem crespo, encarapinhado.

Vi muitas mulheres com lindos cabelos lisos passarem horas sofrendo e deixar o cabeleireiro como se tivessem saído de uma cadeira elétrica.

Hoje ocorre o contrário. Às vezes me assusto com algumas mulheres que descartam seus belos cachos para aderir à escova progressiva.

Confesso que na minha juventude (quando essas moças da foto ainda nem mestruavam) eu padecia do mesmo erro. Tinha os cabelos crespos e os queria lisos, igual ao dos Beatles.

“Não adianta, você puxou a tia Aurélia”, me desanimava minha mãe. A tarefa era mesmo inglória. Por mais que dormisse com uma touca de meia enfiada na cabeça, de nada adiantava. Depois do recreio, na terceira aula, ele já estava encrespado novamente.

Desisti de lutar contra a natureza. Passei a deixar meus cabelos se moldarem sozinhos na minha cabeça. Como a tia Aurélia.

A verdade é que as mulheres gastam fortunas no cabeleireiro para, em alguns casos, saírem de lá parecendo a Maga Patalógica.

A apresentadora Ana Paula Padrão, por exemplo, uma moça que sempre considerei bonita. A chapinha deixou-a parecida com a personagem de Walt Disney.

Há uma outra apresentadora de telejornais, linda, que de vez em quando também aparece no vídeo parecendo a bruxa dos gibis. 

Essa eu não digo o nome, pois seu marido (e colega de bancada) é um dos sete ou oito leitores deste blog, e pode ficar bravo comigo. 



Eleições sem modéstia

A campanha eleitoral pelas prefeituras de todo o Brasil já está nas ruas. A partir de agora, os políticos “deletam” a palavra modéstia de seu vocabulário, como já observava, em 1954, o escritor Luís Martins (ilustração), em sua clássica crônica “Eleições”. Para ler esse atualíssimo texto
clique aqui.



A mensagem

A propósito da declaração do brigadeiro Saito, comandante da Aeronáutica, de que não é necessário que controladores de vôo falem fluentemente inglês, não perca a crônica “A Mensagem”, de Stanislaw Ponte Preta, com link na seção LEIA TAMBÉM.


Fotos: Rita Hayworth, Grace Kelly, Ingrid Bergman, Ava Gardner, Marilyn Monroe, Sophia Loren e Liz Taylor. Ilustração: Luís Martins por Tarsila do Amaral.


Este blog estará em recesso durante este mês de Julho. Voltará a ser atualizado normalmente a partir de Agosto. Até lá! 


Posted by JLT at 05:01:00 | Permalink | Comments (35)

Thursday, June 19, 2008

A ‘montorite’ de Goldman

O vice-governador paulista, Alberto Goldman, teve um acesso de ‘montorite’ no último fim de semana, e chamou o prefeito de São Paulo de Geraldo Kassab.

Para quem não sabe, ’montorite’ era uma doença atribuída jocosamente a Franco Montoro, governador de São Paulo de 1983 a 1988, pela sua mania de trocar nomes em seus discursos.

Não creio, porém, que Goldman tenha sido traído por um dos sintomas muito comuns em quem já não precisa pagar a condução há muito tempo.

Com certeza, foi um ato falho, típico de um político, como ele, egresso do antigo Partidão (Partido Comunista Brasileiro).

Calma, meus poucos mas bons leitores. Eu explico: o Partidão foi famoso por buscar sempre a composição, o acordo político, ou, se preferirem, o conchavo.

O que o vice-governador queria, mesmo, como deixou escapar em seu discurso, era que Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab se fundissem em uma só pessoa: o Geraldo Kassab.

Os problemas dos tucanos e demos paulistas acabariam. Sem briga, sem fissuras, a eleição para a Prefeitura da Capital já estaria no papo. 

Seria uma fusão imperceptível. Geraldo Kassab governaria como Geraldo ou Gilberto, pois não há praticamente diferença entre ambos.

Talvez apenas dona Lu Alckmin estranhasse um pouco ao ver o retrato de São Josemaria de Balaguer (fundador da Opus Dei) trocado pelo da atriz Greta Garbo na parede da sala. Fora isso, não mudaria quase nada.

O sucesso desse sincretismo físico-político poderia ser estendido aos demais candidatos à Prefeitura. Acho que a fusão de Marta Suplicy e de Luiza Erundina seria melhor ainda.

Teríamos a Martina, uma candidata mais sóbria, propondo uma administração austera, apresentando-se com um tom de cabelo menos louro, um castanho escuro, no máximo.

Provavelmente, para ela o social não incluiria jantares na casa de inverno de amigas em Campos de Jordão. Por outro lado (êpa!), nossas concidadãs da periferia não ficariam privadas de ver de perto uma genuína bolsa Louis Vuitton.

Luís Favre, o marido de Martha, seguramente seria o único prejudicado com essa fusão. Mas, companheiro disciplinado que é, tem obrigação de dar tudo pela causa. Ou quase tudo, vá lá.

Nesse embalo, outros partidos como o PMDB e o PP não iriam querer ficar atrás.

Juntariam, também, seus maiores expoentes para concorrer às próximas eleições municipais. Fundiriam, assim, numa só pessoa, Orestes Quércia e Paulo Maluf.

É melhor nem pensar nisso.



Via Crusius


Um dia, quando tudo isso acabar, Yeda Crusius (PSDB) será lembrada como a primeira loura a montar no Brasil “um gabinete de transição”. A história haverá de nos poupar dos detalhes sobre o que está de fato acontecendo por esses dias no Rio Grande Sul. Até porque parecerá mentira contar que o vice-governador Paulo Feijó (DEM) gravou conversas telefônicas com seu secretariado para denunciar corrupção na gestão da governadora tucana, sua companheira de chapa nas eleições de 2006.

A política no Rio Grande do Sul está pegando fogo. Entenda o que está ocorrendo, lendo a íntegra deste divertido texto de Tutty Vasques.

Basta clicar em seu link, na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.


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Ilustração do post: recorte sobre Picasso; caricatura Yeda Crusius: Fragadesenhos.

Posted by JLT at 01:52:21 | Permalink | Comments (29)

Thursday, June 12, 2008

Oração dos Namorados


Nesta quinta-feira é Dia dos Namorados, comemoração que teve origem na Europa, lá pelo Século 3º depois de Cristo.

O imperador romano de plantão havia proibido a Igreja Católica de realizar casamentos durante os tempos de guerra para não atrapalhar a convocação dos soldados.

O padre Valentim não acatou a ordem. Acabou decapitado e, posteriormente, elevado à condição de santo pela sua bravura em favor do matrimônio.

Em sua homenagem, casais europeus passaram a trocar presentes no dia de sua morte, 14 de fevereiro, surgindo, assim, o Dia de São Valentim, o Dia dos Namorados.

Consta que esse costume foi importado para o Brasil pelo empresário João Dória Júnior. Aliás, acho que esse moço também deveria ser canonizado um dia, tornando-se o padroeiro dos capitalistas brasileiros. Mas essa é uma outra história.

Aqui, o dia escolhido para a comemoração foi 12 de Junho, provavelmente por ser véspera de Santo Antonio e período fraco para o comércio.

Imbuido do espírito romântico que permeia essa data, este velho e romântico blogueiro dá a receita da felicidade para esse moços, pobres moços, enamorados de hoje-em-dia.

Modestamente, como sempre, devo esclarecer, meus poucos mas apaixonados leitores, não ter sido eu quem inventou a referida fórmula. Foi Frederick Perls, criador da Gestalt-Terapia.

Essa receita já foi publicada neste blog há algum tempo. Mas atendendo a mais de um pedido (dois, para ser exato), aqui vai novamente.

Rezem, pois, juntos, prezados pombinhos, a oração copiada abaixo:



Oração da Gestalt-Terapia

 


Eu faço minhas coisas,
você faz as suas.

Não estou neste mundo para viver

de acordo com as suas expectativas.

E você não está neste mundo

para viver de acordo com as minhas.

Você é você, e eu sou eu.

E se por acaso nos encontrarmos,

será lindo.

Se não, não há nada a fazer.

(F.Pearls)
 



Para viver um grande amor

Para viver um grande amor, é preciso muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher… — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for.


Clique aqui para ler a íntegra da receita de Vinícius de Moraes, nesse clássico poema.
 



Leia também

Na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página, estréia esta semana o link para a crônica semanal de Marcelo Rubens Paiva.


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Posted by JLT at 03:26:13 | Permalink | Comments (24)