Comunismo no além

Esta semana não tenho uma boa notícia para vocês.
Descobri que, no mundo espiritual, poderemos viver em um regime tal qual o comunismo.
Pelo menos é o que relata, diretamente de lá, André Luiz, no livro “Nosso Lar”, psicografado por Chico Xavier.
E encontrei esse pequeno livro, do qual só ouvira falar vagamente, mas que já passou dos 1,5 milhão de exemplares. Acho que não há nenhum título brasileiro com essa tiragem.
Nele, o Espírito de André Luiz narra sua chegada e as primeiras semanas passadas no que deve ser o primeiro portal do mundo espiritual.
Foi uma surpresa para mim, pois pensava que a partir do momento em que me transformasse apenas em espírito, poderia sair por aí voando sobre florestas, rios, cachoeiras e visitando, sem ser notado, locais aprazíveis deste mundo, como vestiários femininos, por exemplo.
Não é bem assim. Segundo André Luiz, nossa futura morada é muito parecida com uma cidade terrena e nos comportamos lá como deveríamos nos comportar aqui.
Chamou-me a atenção a questão do trabalho e remuneração. Em primeiro lugar foi um alívio saber que há espíritos ociosos no nosso “futuro lar”.
A comunidade tem direito a pão e roupa estritamente necessários, mas o trabalhador acumula horas-bônus, as quais recebe de acordo com o grau de sacrifício de seu trabalho. Quanto mais pesado o trabalho, mais ele recebe.
Daí, se quiser, utiliza parte dessa poupança para vestir e comer o que de melhor lhe pareça.
Pode também gastar em entretenimento, passeios e até adquirir uma casa própria.
As aquisições fundamentais, entretanto, como narra André Luiz, constituem-se de “experiência, educação, enriquecimento de bençãos divinas e extensão de possibilidades”.
Esses conceitos são mais ou menos parecidos com as propostas do comunismo implantado aqui na Terra.
Aliás, há outra semelhança: lá, como no comunismo cá, também existe apenas um partido no poder, não há oposição.
A diferença é que os grandes mandatários do “Nosso Lar” são escolhidos de Deus; e os daqui pensam que são.
José Luiz Teixeira
Como o assunto desta semana ainda é o sobrenatural - na próxima, prometo, vou abordar temas mais mundanos - vale a pena ler uma deliciosa crônica de Machado de Assis sobre a reencarnação, garimpada especialmente para os leitores deste blog. Para lê-la, clique aqui.
Tutty Vasques

Quem não é assinante do Estadão tem acesso às crônicas semanais de Tutty Vasques na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita deste blog.
Nosso último ditador, o general Figueiredo, perpetrou algumas frases célebres durante seu mandato.
A propósito de mais um aniversário do atentado de 11 de Setembro, assisti a um filme na televisão, estes dias, que merece comentário.
Muito bonitinhos e bem feitos os filmetes que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está veiculando na televisão, alertando o eleitor para votar consciente nas próximas eleições.
Minhas poucas, mas boas (no sentido estrito) leitoras. Olhem para essas fotos ao lado e respondam com sinceridade:
usava-se cabelo assim. Se fosse hoje, também teriam aderido à moda dos cabelos escorridos.
pronto, lá se vai a mulherada atrás de bobes para enrolar as madeixas.
moças da foto ainda nem mestruavam) eu padecia do mesmo erro. Tinha os cabelos crespos e os queria lisos, igual ao dos Beatles.
Desisti de lutar contra a natureza. Passei a deixar meus cabelos se moldarem sozinhos na minha cabeça. Como a tia Aurélia.
moça que sempre considerei bonita. A chapinha deixou-a parecida com a personagem de Walt Disney.
A campanha eleitoral pelas prefeituras de todo o Brasil já está nas ruas. A partir de agora, os políticos “deletam” a palavra modéstia de seu vocabulário, como já observava, em 1954, o escritor Luís Martins (ilustração), em sua clássica crônica “Eleições”. Para ler esse atualíssimo texto,
O vice-governador paulista, Alberto Goldman, teve um acesso de ‘montorite’ no último fim de semana, e chamou o prefeito de São Paulo de Geraldo Kassab.

